Em meio a tanto discurso ruim sobre IA, Jensen Huang levantou um ponto importante.
A discussão costuma ficar presa na pergunta: "a IA vai acabar com empregos?" Mas existe um efeito anterior, menos óbvio e talvez mais perigoso: o discurso sobre substituição pode mudar as decisões das pessoas antes da substituição acontecer.
Quando líderes muito influentes dizem que certas profissões não serão mais necessárias, eles não estão apenas descrevendo o futuro. Eles ajudam a moldar o presente. Pessoas deixam de estudar, entrar ou permanecer em áreas que ainda podem ser importantes, porque foram convencidas de que aquele caminho morreu.
O risco é criar uma escassez artificial de profissionais. Não porque a IA substituiu todo mundo, mas porque muita gente foi persuadida a abandonar uma área antes da hora.
Esse é o problema de previsões tecnológicas feitas como sentença. Elas não apenas informam decisões; elas alteram os incentivos que formam o mercado de trabalho.
A IA pode mudar muita coisa. Mas existe diferença entre reconhecer mudança tecnológica e espalhar a ideia de que certas competências humanas já não importam mais. Uma coisa é análise. A outra é profecia autorrealizável.
