O PCO teve uma denúncia por antissemitismo contra seu presidente aceita pela Justiça Federal. E aqui existe uma discussão que muita gente vai tratar da pior forma possível.
Criticar Israel não é antissemitismo. Criticar um governo, uma guerra, uma política externa ou ações militares de um Estado não é o mesmo que atacar judeus como povo. Essa distinção precisa existir, porque sem ela qualquer crítica política vira crime moral.
Mas também existe o outro lado: parte da extrema esquerda passa dessa crítica e começa a relativizar terrorismo, flertar com slogans eliminacionistas e tratar grupo terrorista como movimento de libertação. Aí a discussão muda de lugar. Já não é só crítica a Israel; é uma zona bem mais suja.
O ponto curioso é que o PCO, de todos os movimentos da esquerda brasileira, sempre foi um dos poucos relativamente consistentes na defesa da liberdade de expressão. Defendeu esse princípio até para gente que a própria esquerda queria destruir publicamente, como no caso Monark. Você pode discordar da análise deles, mas existe uma linha coerente ali: acusação grave não pode virar rótulo automático por conveniência política.
Eu não preciso gostar do PCO para defender que eles tenham direito de falar. Na verdade, liberdade de expressão só importa de verdade quando o alvo é alguém que você não gosta. Defender esse princípio apenas para aliado não é princípio; é torcida.
Se houve crime real, que se prove com critério jurídico. Mas se a acusação depende de transformar crítica política, por mais radical ou idiota que seja, em crime por pressão moral, então a discussão já deixou de ser sobre antissemitismo e virou outra coisa: controle do discurso por rótulo.
