O balanço racional da distribuição de capital humano não permite tratar toda diferença setorial entre homens e mulheres como prova direta de discriminação.
Se uma exclusão foi inicialmente motivada por gênero, mas homens e mulheres podem desempenhar a mesma função com produtividade semelhante, os próprios incentivos econômicos passam a pressionar contra essa exclusão. A depender do setor, rejeitar uma mulher qualificada deixa de ser apenas preconceito; vira má alocação de capital humano.
Nesse caso, o custo econômico da discriminação precisa ser maior do que o benefício percebido da preferência discriminatória. Se não for, o agente discriminador está pagando para sustentar uma preferência improdutiva, enquanto outro empregador pode alocar melhor esse capital humano e obter vantagem competitiva.
Isso não significa que o preconceito desaparece automaticamente. Significa que ele precisa ser explicado. Se a discriminação persiste, a pergunta correta não é apenas qual estrutura explica o resultado, mas por que os incentivos não foram suficientes para desmotivar aquela prática: concorrência limitada, barreiras institucionais, informação ruim, redes fechadas ou algum benefício percebido que ainda compense a perda produtiva.
Desigualdade observada não encerra a análise. Ela só define o problema que ainda precisa ser explicado.
