O balanço racional da distribuição de capital humano não permite tratar toda diferença setorial entre homens e mulheres como prova direta de discriminação.
Suponha primeiro duas pessoas igualmente capazes de desempenhar determinada função, com produtividade esperada semelhante, diferenciando-se apenas pelo gênero. Se representa a produtividade esperada do homem e a da mulher, a premissa relevante é:
Nessas condições, excluir uma das pessoas apenas por seu gênero não representa a escolha de um trabalhador mais produtivo. Representa abrir mão de capital humano que poderia produzir aproximadamente o mesmo resultado.
Essa exclusão, porém, ainda pode ocorrer. O agente pode atribuir algum benefício subjetivo à própria preferência discriminatória. Se representa o custo econômico de discriminar e o benefício percebido pelo agente ao manter essa preferência, a decisão passa a depender da relação entre essas duas variáveis.
Se o custo econômico de discriminar superar o benefício que o agente percebe em fazê-lo, manter a discriminação produz uma perda líquida:
Isso não significa que o preconceito desapareça automaticamente. Significa apenas que, nessas condições, o agente precisa aceitar uma perda para continuar discriminando. Enquanto ele rejeita capital humano produtivo, outro empregador pode utilizá-lo.
A discriminação pode continuar existindo caso o benefício percebido pelo agente ainda seja maior ou igual ao custo que ele suporta. Portanto, a pressão econômica contra a discriminação não depende da inexistência de preconceito, mas de o custo de sustentá-lo superar aquilo que o agente acredita ganhar com ele.
Isso também permite formular uma pergunta mais interessante quando a discriminação persiste: por que seu custo econômico não foi suficiente para alterar o comportamento? A resposta pode estar em concorrência limitada, barreiras institucionais, informação ruim, redes fechadas ou outros mecanismos que reduzam o custo efetivamente suportado pelo agente ou aumentem o benefício percebido da exclusão.
Por fim, uma diferença observada entre dois grupos não identifica, por si só, o mecanismo que a produziu. Se representa uma desigualdade observada e a hipótese de discriminação como sua causa, observar não é suficiente para concluir .
A desigualdade observada, portanto, não encerra a análise. Ela identifica um resultado que ainda precisa de uma explicação causal.