Tem uma coisa que me incomoda na discussão sobre maconha e racismo: a crítica parece parar cedo demais. A tese é conhecida: a criminalização teria derivado de um racismo prévio. Pode ser. Mas, quando o debate para nisso, o problema vira apenas a opinião racista por trás da proibição, não o poder de proibir. Como se a ferramenta penal fosse neutra. Como se o erro estivesse só na opinião ruim que ocupou essa ferramenta.
Só que a pergunta anterior é mais incômoda: por que uma aversão social deveria ter caminho aberto para virar polícia, processo e prisão?
O ponto não é negar que o racismo importe. Importa. O ponto é perceber que muita gente denuncia a opinião errada por trás da lei sem estranhar o mecanismo que permite a uma opinião receber força de lei. Talvez o problema não seja só uma opinião racista ter usado o poder de proibir. Talvez seja o poder de proibir parecer normal demais.
