Finalmente, Erika Hilton acertou em um ponto. Ao comentar o boicote à DiaTV depois da entrevista com Kim Kataguiri, ela disse que o deputado não havia sofrido censura. Para ela, a reação fazia parte do funcionamento normal do mercado.
Kim foi convidado para um programa da DiaTV, cujo público é predominantemente LGBT. Parte da audiência protestou contra o convite por razões ideológicas. Os apresentadores retiraram o episódio do ar e publicaram um pedido de desculpas. Kim então chamou o episódio de censura.
O caso se enquadra em liberdade de associação. Parte do público recorreu ao boicote, e os responsáveis por uma empresa privada decidiram retirar o episódio e se desassociar do convidado. Assisti à entrevista e não vi nada demais. Kim e os apresentadores conversaram com respeito. Parte da audiência preferiu punir o canal por abrir espaço ao diálogo com quem discorda, em vez de confrontar as ideias apresentadas. Cabe criticar essa intolerância, mas uma decisão privada não constitui censura.
Agora esperamos que Erika Hilton aplique o mesmo critério em situações semelhantes, inclusive quando o boicote ou a desassociação atingir alguém ou alguma causa que ela apoie. Consumidores e empresas conservam essa liberdade quando o resultado desagrada à deputada. Ela será coerente se defender o mecanismo sem escolher o princípio conforme o alvo.