Mercado é um processo
Indivíduos têm informações, preferências, recursos e expectativas diferentes. Também enfrentam restrições diferentes. Com base nisso, fazem ofertas, recusam trocas, substituem produtos, disputam recursos e mudam suas decisões quando surgem novas informações.
Desse conjunto de interações podem resultar preços, concorrência, lucro, prejuízo, coordenação, descoberta e realocação de recursos. O termo “livre mercado” não nomeia um processo separado, que começa depois do mercado. Ele descreve o grau em que as trocas e decisões que formam o mercado podem ocorrer sem restrições externas.
Se duas pessoas podem negociar um produto, combinar um preço e escolher com quem contratar, essas dimensões da atividade de mercado ocorrem com maior liberdade. Tabelamentos, licenças obrigatórias e barreiras legais de entrada restringem algumas dessas decisões. O mercado continua existindo, mas opera sob outras condições.
Por isso, pode haver mercado sem livre mercado em sentido pleno. Mesmo sob intervenção, as pessoas continuam enfrentando escassez, fazendo escolhas e lidando com custos de oportunidade. Oferta e procura também continuam relevantes, embora as regras possam alterar seus efeitos. Quando o Estado fixa um preço, por exemplo, esse preço é administrado; não é necessariamente o preço formado pelas negociações entre compradores e vendedores.
A intervenção, portanto, não cria o processo de mercado nem o substitui por completo. Ela muda as condições em que as pessoas decidem e trocam. O grau de liberdade pode afetar a concorrência, a entrada de novos participantes e a formação de preços, mas esses fenômenos resultam das interações entre agentes e das regras que as condicionam.