Eu vou ter que concordar com o que a Espectro Cinza disse no podcast do Monark sobre detestar política. Eu também detesto política. Ela comentou, inclusive, que prefere falar de outras coisas, como cultura ou questões mais teóricas. E acho que esse é justamente o ponto. Eu falo e discuto política porque desenvolvi uma determinada visão sobre instituições, liberdade e sobre como certas coisas deveriam funcionar. Mas o jogo político, em si, continua sendo desprezível. É ridículo ficar tomando partido de políticos ou acompanhando posições das quais você discorda completamente, especialmente quando não existe nenhum benefício prático nisso. Aliás, analisar as instituições brasileiras de um ponto de vista liberal é uma experiência quase cômica. E isso vale independentemente da sua posição: seja comunista, liberal ou qualquer outra coisa, faça o teste. Pegue as instituições existentes, compare-as com os princípios que você diz defender e depois compare também as próprias políticas que você já apoiou entre si. Rapidamente começam a aparecer as contradições. No meu caso, são pouquíssimas as políticas brasileiras para as quais eu consigo olhar e pensar: “isso aqui é bom”. Na maior parte das vezes, encontro apenas diferentes formas de produzir problemas. E existe algo curioso nisso tudo: eu falo muito sobre política justamente porque não gosto de política. Ela interfere na minha vida. Instituições políticas criam regras, restrições, custos e incentivos que eu não posso simplesmente ignorar. Então eu quero entender como essas coisas funcionam e quais seriam formas melhores de organizá-las. Talvez a forma mais precisa de colocar isso seja: eu gosto de liberalismo, mas não gosto do meio no qual boa parte dessa discussão acontece. No fundo, é até uma conclusão meio filosófica: eu não gosto do Estado justamente porque o Estado me obriga a me importar com ele.