Domenyk

Thread de notas

8 notas na thread

  1. O extremista Jones Manoel foi questionado sobre os estupros e outros crimes cometidos por integrantes do Hamas contra judeus.

    Em vez de condenar diretamente esses crimes e depois apresentar sua posição sobre o conflito, Jones desviou para as ações de Israel e reafirmou seu apoio à “emancipação da Palestina do rio ao mar”.

    Mas o que mais me chamou atenção veio depois, na forma como isso foi recebido.

    Ao observar as reações, eu quase não vi pessoas da própria bolha de Jones questionando sua recusa em condenar aqueles crimes. Não houve a mesma cobrança, a mesma indignação nem a mesma tentativa de transformar sua resposta em retrato da ideologia que ele defende.

  2. Imagem relacionada a “Ontem, aconteceu algo ainda mais direto na Parada LGBT de Berlim. Um”

    Ontem, aconteceu algo ainda mais direto na Parada LGBT de Berlim.

    Um extremista islâmico lançou uma van contra pessoas próximas ao evento e depois atacou outras vítimas com um facão. Uma pessoa morreu e outras 29 ficaram feridas. As autoridades alemãs classificaram o ataque como terrorismo de motivação islâmica.

    E, novamente, quase não vi posicionamentos da bolha progressista diante de uma agressão direta contra pessoas LGBT.

    Curiosamente, o agressor estava ligado ao extremismo de um grupo que essa mesma bolha costuma defender de qualquer crítica, inclusive quando a crítica não é contra todos os muçulmanos, mas contra uma ideologia específica que acabou de produzir violência.

  3. Eu já havia percebido esse mecanismo quando escrevi sobre as mulheres afegãs e os direitos que lhes foram removidos pelo Talibã.

    Quando critiquei o Talibã pela perseguição, pelo controle e pela exclusão dessas mulheres da vida pública, fui xingado. Não porque alguém tivesse demonstrado que minha crítica era falsa, mas porque eu aparentemente estava atacando o inimigo errado.

    O problema não era a retirada concreta dos direitos das mulheres afegãs. O problema era eu não estar direcionando a crítica ao inimigo metafísico que deve explicar todo mal político: a “extrema direita”.

    A violência pode ser real, as vítimas podem ser mulheres e a opressão pode estar ocorrendo diante de todos. Ainda assim, se o autor não pertence ao grupo politicamente autorizado a ocupar o papel de agressor, a indignação começa a desaparecer.

  4. Os três casos possuem a mesma estrutura.

    No primeiro, Jones é questionado sobre crimes cometidos por integrantes do lado que defende e evita condená-los diretamente. Sua bolha responde com silêncio, contexto ou mudança de assunto.

    No segundo, um extremista islâmico mata e fere pessoas LGBT. Novamente, a ideologia do agressor quase desaparece da discussão progressista.

    No terceiro, mulheres afegãs perdem direitos básicos sob o Talibã, mas criticar quem retirou esses direitos pode ser tratado como desvio político caso a crítica não seja dirigida à “extrema direita”.

    Ninguém precisa responsabilizar todos os palestinos pelos crimes do Hamas, nem todos os muçulmanos pelo atentado de Berlim ou pelas ações do Talibã. Mas isso não deveria ser usado como escudo para uma defesa incondicional e, por vezes, irracional de muçulmanos ou de qualquer prática associada a eles, como se qualquer crítica fosse automaticamente ilegítima.

    Quando a identidade do agressor define se a violência merece indignação, já não existe um princípio contra a violência. Existe apenas uma seleção política de quais vítimas podem ser defendidas.

  5. Extra:

    Literalmente após publicar esta thread, abri o Instagram e encontrei uma notícia dizendo que judeus LGBT de Berlim estão se sentindo cada vez mais inseguros e discriminados dentro dos próprios espaços LGBT.

    A ironia da situação é perfeita.

    Parte da bolha progressista, incluindo setores da comunidade LGBT, trata muçulmanos como um grupo que precisa ser protegido de qualquer crítica. Ao mesmo tempo, judeus que não agrediram ninguém, não participaram de guerra alguma e não possuem responsabilidade pelas decisões do governo israelense são excluídos como se carregassem culpa coletiva.

    Judeus LGBT são pressionados a provar que condenam Israel para serem aceitos. Alguns relatam intimidação, boicotes e afastamento de espaços que antes consideravam seguros.

  6. Mas, quando um extremista islâmico realmente ataca pessoas LGBT, a mesma disposição para transformar indivíduos em representantes políticos desaparece.

    De repente, mencionar a ideologia do agressor vira preconceito, e toda a cautela que não foi oferecida aos judeus passa a ser exigida para proteger a imagem dos muçulmanos.

    Os judeus são responsabilizados por agressões que não cometeram. Os extremistas islâmicos que cometem agressões concretas recebem contexto, silêncio e defesa preventiva.

    Protegem uma categoria abstrata e apedrejam indivíduos inocentes, até que alguém protegido por essa blindagem seja o primeiro a lançar uma pedra de verdade.

  7. O antissemitismo cresce dia após dia. Mas sua forma mais socialmente protegida já não precisa aparecer com uma suástica ou sair de alguma célula nazista.

    Ela aparece no progressista “antissionista” que transforma qualquer judeu em representante de Israel, exige que ele condene um governo estrangeiro para ser aceito e direciona contra indivíduos inocentes o ódio cultivado em nome da luta contra o sionismo.

    Claro, a esquerda não criou os grupos nazistas nem é a única responsável por seu crescimento.

    O ponto é mais específico: quando setores progressistas normalizam a responsabilização coletiva dos judeus, reduzem o custo social de um preconceito que essas mesmas células nazistas também desejam espalhar.

  8. E é engraçado, porque essa mesma bolha fala constantemente sobre “apitos de cachorro” e acusa pessoas, muitas vezes de forma completamente irracional, de serem nazistas por beberem leite ou fazerem algum gesto que lembre minimamente Hitler.

    Mas o ódio literal contra judeus? A exclusão de judeus? A responsabilização coletiva de pessoas que não cometeram agressão alguma?

    Não, não. Isso não é nazismo. É apenas “antissionismo”.

    No fim, eles não estão tão distantes quanto gostam de imaginar.