Toda vez que aparece uma discussão sobre banheiros trans, a conversa costuma girar em torno de qual regra seria mais inclusiva, mais respeitosa ou mais correta.
O interessante é que a discussão é extremamente rápida: existe uma preferência moral aparentemente louvável e, por isso, ela deve se tornar uma obrigação jurídica.
A estrutura geralmente é essa:
X é moralmente desejável, logo X deve ser obrigatório.
Demonstrando dessa forma, fica meio óbvio o problema, não? Pois é.
A ideia de que as preferências de alguém devem automaticamente se tornar uma obrigação jurídica aparentemente deixa de parecer reprovável quando produz algo que essa pessoa já considera moralmente válido.
Imagine que, por algum motivo, políticos determinassem que cruzes deveriam ser colocadas em todos os estabelecimentos porque elas concederiam proteção divina. Bem, o argumento poderia até parecer tentador de certa forma: o custo seria baixo, seria uma proteção e, mesmo que algumas pessoas não aprovassem moral ou religiosamente, por que não fazer?
Aí o problema fica explícito, não? Você simplesmente não deveria ter o direito de impor aquilo que considera moralmente aceitável sobre todas as propriedades.