DomenykDomenyk

Ideias, e somente ideias, podem iluminar a escuridão.

  • O balanço racional da distribuição de capital humano não permite tratar toda diferença setorial entre homens e mulheres como prova direta de discriminação.

    Se uma exclusão foi inicialmente motivada por gênero, mas homens e mulheres podem desempenhar a mesma função com produtividade semelhante, os próprios incentivos econômicos passam a pressionar contra essa exclusão. A depender do setor, rejeitar uma mulher qualificada deixa de ser apenas preconceito; vira má alocação de capital humano.

    Nesse caso, o custo econômico da discriminação precisa ser maior do que o benefício percebido da preferência discriminatória. Se não for, o agente discriminador está pagando para sustentar uma preferência improdutiva, enquanto outro empregador pode alocar melhor esse capital humano e obter vantagem competitiva.

    Isso não significa que o preconceito desaparece automaticamente. Significa que ele precisa ser explicado. Se a discriminação persiste, a pergunta correta não é apenas qual estrutura explica o resultado, mas por que os incentivos não foram suficientes para desmotivar aquela prática: concorrência limitada, barreiras institucionais, informação ruim, redes fechadas ou algum benefício percebido que ainda compense a perda produtiva.

    Desigualdade observada não encerra a análise. Ela só define o problema que ainda precisa ser explicado.

  • Tem um truque muito comum em discussão política: tratar consequência como se fosse característica natural de um sistema.

    O sujeito cria uma regra, um imposto, uma proibição, uma barreira, um incentivo torto. Depois, quando aquilo produz escassez, informalidade, dependência, corrupção ou fuga, ele aponta para o resultado e diz: "está vendo? Esse sistema não funciona".

    Só que o resultado não caiu do céu. Ele foi produzido.

    Não é sério quebrar as pernas de alguém e depois usar a dificuldade de andar como prova de que a pessoa nasceu fraca.

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  • A esquerda às vezes perde um puta timing cômico. Flávio Bolsonaro fechadão com o Banco Master, e eles podendo assinar a CPMI pra fuder a família Bolsonaro… ninguém votou a favor. É uma pena, não?

  • O PCO teve uma denúncia por antissemitismo contra seu presidente aceita pela Justiça Federal. E aqui existe uma discussão que muita gente vai tratar da pior forma possível.

    Criticar Israel não é antissemitismo. Criticar um governo, uma guerra, uma política externa ou ações militares de um Estado não é o mesmo que atacar judeus como povo. Essa distinção precisa existir, porque sem ela qualquer crítica política vira crime moral.

    Mas também existe o outro lado: parte da extrema esquerda passa dessa crítica e começa a relativizar terrorismo, flertar com slogans eliminacionistas e tratar grupo terrorista como movimento de libertação. Aí a discussão muda de lugar. Já não é só crítica a Israel; é uma zona bem mais suja.

    O ponto curioso é que o PCO, de todos os movimentos da esquerda brasileira, sempre foi um dos poucos relativamente consistentes na defesa da liberdade de expressão. Defendeu esse princípio até para gente que a própria esquerda queria destruir publicamente, como no caso Monark. Você pode discordar da análise deles, mas existe uma linha coerente ali: acusação grave não pode virar rótulo automático por conveniência política.

    Eu não preciso gostar do PCO para defender que eles tenham direito de falar. Na verdade, liberdade de expressão só importa de verdade quando o alvo é alguém que você não gosta. Defender esse princípio apenas para aliado não é princípio; é torcida.

    Se houve crime real, que se prove com critério jurídico. Mas se a acusação depende de transformar crítica política, por mais radical ou idiota que seja, em crime por pressão moral, então a discussão já deixou de ser sobre antissemitismo e virou outra coisa: controle do discurso por rótulo.

  • A corrupção virou algo banalizado no debate público, e as pessoas nem tentam mais defender — só normalizar dependendo do lado.

    “O outro roubou também.” Sim, foda-se?

    Isso não cria equivalência de inocência por comparação. Se os dois cometeram crime tem que ser preso.

  • Conversa média com um comunista:

    Isso é culpa do neoliberalismo

    Então quais são as medidas "neoliberais" que causaram isso?

    Você é um fascista!

  • Não entendo como as pessoas conseguem odiar tanto o Nikolas Ferreira, quando o Pavanato consegue ser tão burro quanto.

  • Eu tô vendo uma tendência perigosa vindo da esquerda agora, tá iniciando uma movimentação de pessoas de esquerda defendendo a abolição de alguns impostos.

    Quando chegarmos na época das eleições, vamos ver essa galera dizendo que a direita defende impostos, e eles vão bater muito na tecla do ICMS, que é um imposto estadual, e estados maiores têm mais dificuldade de abolir esses impostos por conta do pacto federativo. Vai ser uma arma pra bater principalmente no Tarcísio, que é uma muralha praticamente dentro de SP, e isso vai servir pra impulsionar a candidatura do Haddad, por mais engraçado que seja.